Este é um blog de ficção feito para agradar a todos e a ninguém . Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência...
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Bolas De Sabão

"As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.
Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente."
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Alberto Caeiro
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
sábado, 19 de janeiro de 2008
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Depois do que te disse
descansei
escrevo-te sem endereço
no reverso do que fiz
não escolho as ruas onde moras
paro no verso
nunca atravesso
fecho-me na caixa do correio
à espera que me escrevas
melhor é acampar
no dedo direito deste magro braço d'água
cingido à complicação elementar
de estar vivo.
descansei
escrevo-te sem endereço
no reverso do que fiz
não escolho as ruas onde moras
paro no verso
nunca atravesso
fecho-me na caixa do correio
à espera que me escrevas
melhor é acampar
no dedo direito deste magro braço d'água
cingido à complicação elementar
de estar vivo.
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Boaventura de Sousa
Lágrima de preta
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
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António Gedeão
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